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06 de abril de 2026

Bruno Bellarmino aprofunda lado mais sombrio em Cangaço Novo 2

Cultura 06/04/2026 12:02

“Não conseguiria conviver com o que já fiz em cena”

Intérprete de Gastão Maleiro, ator fala sobre ambição, culpa e o peso de viver personagens extremos em uma das séries brasileiras mais bem-sucedidas da Prime Video

Após o sucesso que colocou Cangaço Novo entre as produções brasileiras mais comentadas do streaming, Bruno Bellarmino retorna à série em uma posição ainda mais central. Na segunda temporada, que estreia em 24 de abril, seu personagem, Gastão Maleiro, deixa de operar nas margens e passa a atuar diretamente no núcleo de poder que move a trama, mais ambicioso, estratégico e perigoso.

 

“A ambição dele funciona quase como uma conselheira. É ela que vai indicando os caminhos para ele ganhar mais poder na região”, explica o ator, ao comentar o movimento do personagem nesta nova etapa da história.

 

A primeira temporada teve forte repercussão dentro e fora do país, conquistando o posto de produção mais assistida do Prime Video Brasil, além de uma legião de fãs. “O que fica é o carinho. Quando o trabalho chega às pessoas desse jeito, isso marca”, diz.

 

Um personagem que não se vê como vilão

 

Gastão incomoda justamente por não caber em uma definição simples. O personagem não se apresenta como vilão e, dentro da própria lógica, sustenta suas decisões com naturalidade, o que torna suas ações ainda mais perturbadoras para quem acompanha a trama.

 

“Ele acredita muito nas próprias convicções. Tem um impulso criativo pra maldade. E, ao mesmo tempo, se ninguém vê o que ele faz, dificilmente vai enxergar ele como vilão”, afirma.

 

Esse tipo de construção acompanha a carreira de Bellarmino, que ao longo dos anos se consolidou em papéis marcados por tensão, violência e conflito moral, como em produções como Supermax e Rotas do Ódio. Ainda assim, a nova temporada de Cangaço Novo exigiu um nível de entrega diferente, tanto física quanto emocionalmente.

 

“Quase todas as cenas me exigiram bastante, física e emocionalmente. É pesado. Durante meses, você convive com uma culpa que não é sua, mas que passa por você”, conta.

 

Um reencontro mais intenso

 

Voltar ao personagem depois do sucesso inicial não foi um processo automático. A segunda temporada trouxe uma relação mais profunda e também mais desgastante, tanto pelo nível de complexidade da história quanto pelo envolvimento emocional exigido.

 

“Eu estava curioso como espectador para entender o caminho dele. E confesso que saí dessa temporada mais mexido do que na primeira”, diz.

 

A nova fase amplia os conflitos entre os personagens e intensifica as relações dentro dos núcleos principais, especialmente entre figuras centrais da trama, como os vividos por Allan Souza Lima, Thayná Duarte e Alice Carvalho. Apesar da carga dramática das cenas, o ambiente fora delas seguia em outro tom. “Como os núcleos são grandes, a gente nem sempre se encontrava no set. Mas nas folgas sempre dava um jeito de se reunir. Eu gosto muito do elenco, são demais.”

 

Entre intensidade e escolha

 

A sequência de personagens intensos não foi exatamente planejada. O próprio ator reconhece que ainda está em um momento de construção dentro da carreira e que muitas dessas escolhas também passam pelas oportunidades que surgem ao longo do caminho. “Ainda não estou num lugar de escolher personagem. Mas tive muita sorte de encontrar histórias boas e personagens fascinantes”, afirma.

 

O interesse, no entanto, segue direcionado para personagens complexos, que exigem uma investigação mais profunda sobre comportamento humano e moralidade. “O que me chama atenção é como alguém consegue agir com naturalidade diante de coisas tão pesadas. Eu, como pessoa, não conseguiria viver com o que alguns personagens meus já fizeram.”

 

Do projeto social ao set

 

Antes de dar vida a personagens complexos e muitas vezes violentos, Bellarmino encontrou a atuação em um contexto bem distante dos grandes sets de filmagem. Foi ainda jovem, em Olinda, participando de projetos sociais voltados à formação artística de jovens da periferia, que teve o primeiro contato com o teatro e com a possibilidade de transformar aquela experiência em profissão.

 

Essa origem segue presente na forma como ele se relaciona com o trabalho. A vivência fora dos circuitos tradicionais contribui para uma construção mais conectada com a realidade dos personagens que interpreta, especialmente em histórias que lidam com desigualdade, poder e conflitos sociais.

 

Além da atuação, o ator também mantém uma relação ativa com esse tipo de iniciativa, participando de projetos e compartilhando conhecimento com novos artistas, ampliando o impacto desse percurso para além das telas.

 

Saiba mais sobre Bruno Bellarmino:

https://www.instagram.com/brunobellarmino/

 

Informações para a imprensa:

Aline Nobre – [email protected]

Lucas Pasin – [email protected]

Natálie Iggnacio - [email protected]


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