Cobranças abusivas, máquinas de cartão adulteradas, extorsões e furtos estão deixando moradores e visitantes em alerta nas praias do Rio. A fiscalização foi reforçada depois de uma série de casos, como uma caipirinha que foi cobrada por R$ 8 mil e massagens feitas à força.
A prisão de um vendedor ambulante que cobrou R$ 8.246,40 de um turista francês por duas caipirinhas que custariam R$ 80 acendeu um alerta para os golpes e crimes nas praias do Rio. O caso aconteceu no último domingo, em Copacabana, durante o primeiro fim de semana da operação Tolerância Zero. A Polícia Civil reforçou as orientações para que moradores e visitantes confiram os valores nas máquinas de cartão antes de pagar.
- Um turista francês pagou R$ 8.246,40 por duas caipirinhas que custariam R$ 80 em Copacabana.
- Facções criminosas como Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro disputam o controle de atividades ilegais nas praias.
- Massagistas na Praia da Barra da Tijuca fazem massagens sem consentimento e exigem pagamento, às vezes com agressões.
- Em 2025, a polícia prendeu cinco suspeitos de um esquema que unia traficantes e ambulantes para extorquir turistas com máquinas adulteradas.
- Mais de 40 praticantes de stand up paddle foram resgatados em Copacabana após serem arrastados pelo vento em outubro de 2025.
A prefeitura anunciou a ofensiva depois de uma série de reportagens que mostraram o aumento de irregularidades na orla. Além dos golpes com máquinas de cartão, as praias têm problemas com facções criminosas no comércio ilegal, denúncias de massagens forçadas, venda de drogas e outras situações que preocupam moradores e turistas.
Caipirinha 'salgada'
O caso mais recente aconteceu na tarde de domingo, em Copacabana. Um turista francês achava que estava pagando R$ 80 por duas caipirinhas, mas foram debitados R$ 8.246,40 do seu cartão de crédito. Segundo a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), o ambulante disse que não aceitava dinheiro e exigiu o pagamento por cartão.
Após receber as características do suspeito, a polícia localizou o vendedor, que foi reconhecido pela vítima e preso em flagrante por estelionato. A Polícia Civil encontrou na máquina de cartão duas tentativas de cobrança recusadas que, somadas, passavam de R$ 20 mil. Em depoimento, o ambulante negou ter aplicado o golpe.
Facções criminosas nas praias
Uma investigação mostrou que a disputa entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) ultrapassou os limites das comunidades e passou a influenciar o funcionamento da orla de Copacabana e do Leme, na Zona Sul. Grupos criminosos passaram a disputar o controle de atividades ilegais nas praias, como a venda de drogas e parte do comércio irregular.
O fim do pacto de não agressão, que durou anos entre as duas organizações, aumentou a tensão entre ambulantes e afetou a rotina dos trabalhadores da praia. A investigação também mostrou que a atuação das facções dificulta a fiscalização e aumenta a sensação de insegurança em um dos principais cartões-postais da cidade.
Massagens forçadas na Barra
Frequentadores da Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, denunciaram uma série de episódios envolvendo pessoas que oferecem massagens sem que o serviço tenha sido solicitado. Segundo os relatos, alguns massagistas começam o atendimento mesmo depois de os banhistas dizerem que não querem e, no final, exigem pagamento.
Em alguns casos, as recusas terminaram em discussões e agressões físicas. As denúncias levaram a população a cobrar maior fiscalização na orla, por causa da repetição dos episódios.
Esquema de extorsão com traficantes e ambulantes
Em junho de 2025, agentes da Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo (Deat) prenderam cinco suspeitos de participar de um esquema de extorsão e tráfico de drogas que atuava nas praias da Zona Sul do Rio. O grupo era formado por traficantes da Vila Kennedy e ambulantes que trabalhavam na orla.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos usavam máquinas de cartão adulteradas para aplicar golpes em turistas, principalmente estrangeiros. As vítimas eram levadas a pagar valores muito mais altos do que o combinado por produtos baratos, como R$ 1 mil por um cigarro, mais de R$ 20 mil por uma caipirinha e R$ 7 mil por uma sunga.
Stand up paddle: ventania deixou praticantes à deriva
Nem todos os problemas registrados nas praias envolvem crimes, mas alguns representam sérios riscos à segurança. Em outubro de 2025, bombeiros precisaram resgatar mais de 40 praticantes de stand up paddle que foram arrastados pelo vento para longe da areia em Copacabana.
O caso serviu de alerta para os riscos da prática em dias de ventos fortes e mar agitado. Os bombeiros reforçaram a orientação para que os esportistas verifiquem as condições do tempo antes de entrar no mar e usem equipamentos de segurança, como colete salva-vidas e leash (cabo que prende a perna do praticante à prancha), para reduzir o risco de ficar à deriva.

Guardas municipais patrulham a orla de Copacabana. Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo





