14 de junho de 2026

Roteiros em SP para seguir os passos de Anchieta

Cidades Roteiros 14/06/2026 11:05 Marta Cavallini agenciasp.sp.gov.br

Na semana do Dia Nacional de Anchieta, a Secretaria de Turismo de São Paulo (Setur-SP) mapeou os lugares por onde o missionário passou, andou, explorou e escreveu em detalhes. São roteiros a pé que ajudam a conhecer a história do 'Apóstolo do Brasil' no estado.

Em maio de 1560, o padre jesuíta José de Anchieta escreveu um relatório chamado "Carta de São Vicente". Nele, ele contou tudo o que viu da Mata Atlântica, da geografia, das pessoas, dos bichos e das plantas da Capitania de São Vicente. Mas ele fez muito mais. Anchieta e a história do Brasil estão praticamente ligados. No dia 9 de junho, ele é homenageado no Dia Nacional, data da sua morte, em 1597. Anchieta foi canonizado (virou santo) em 2014.

Para fazer essa homenagem e lembrar os caminhos do jesuíta, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) listou alguns lugares por onde ele passou. Esses locais viraram pontos turísticos e lembram a presença de Anchieta no estado e na história de São Paulo.

  • Anchieta escreveu um relatório em 1560 descrevendo a natureza e o povo de São Vicente
  • Ele morreu em 9 de junho de 1597 e foi canonizado em 2014
  • A Setur-SP mapeou roteiros turísticos por onde Anchieta passou em São Paulo
  • Os lugares incluem cidades como Itanhaém, Ubatuba, Itu e a capital
  • Anchieta nasceu nas Ilhas Canárias, na Espanha, e veio para o Brasil em 1553

Itanhaém

A segunda cidade mais antiga do Brasil tem os "Caminhos de Anchieta", um roteiro com seis atrações que lembram a passagem dele, entre 1563 e 1595: a Cama de Anchieta (uma pedra onde ele descansava e escrevia poemas), a Passarela de Anchieta (uma ponte suspensa de 220 metros, com vista para o mar), o Pocinho de Anchieta (uma estrutura de pedras feita por índios), os Painéis de Anchieta (mosaicos de vidro), o Monumento a Anchieta (uma estátua na Praça Narciso de Andrade) e a Igreja Matriz de Sant'Anna (que tem a imagem da Virgem de Anchieta). Itanhaém fica a 116 km da capital.

Ubatuba

Na areia de Iperoig (hoje Praia do Cruzeiro), em Ubatuba, Anchieta fez um poema para a Virgem Maria, com mais de 5.700 versos. Como não tinha papel, ele decorava os versos e escrevia com um pedaço de pau na areia. Anchieta esteve em Ubatuba em 1563. A Praia do Cruzeiro tem uma faixa de areia grande, com calçadão, espaço para esportes, pista de skate, feira de artesanato e restaurantes. A Ilha Anchieta, também em Ubatuba, tem esse nome em homenagem a ele. É a segunda maior ilha do litoral de São Paulo, com praias bonitas, vida marinha, trilhas, ruínas de um presídio antigo e as praias do Presídio e do Sul. Ubatuba fica a 220 km da capital.

Itu

Anchieta esteve na aldeia de Maniçoba, perto do Rio Tietê, na atual Itu, para ensinar a religião aos índios, aprender a língua deles e conhecer a região. Itu homenageia o padre no Largo do Bom Jesus (hoje Praça Padre Anchieta). Nessa praça, ficava a antiga capela de Nossa Senhora da Candelária, que deu origem à cidade, em 1610, e à Igreja Matriz, que tem o maior patrimônio do barroco paulista, com altar e órgão lindos. A Matriz é o coração histórico de Itu. Perto dela, estão o Semáforo Gigante, o Orelhão Gigante e lojas de lembranças exageradas, além do Museu Republicano da USP. Itu fica a 96 km de São Paulo.

São Paulo

A capital tem muitas marcas de Anchieta. O Marco Zero de São Paulo, o Pátio do Colégio, foi fundado em 1554 pelo Padre Manoel da Nóbrega e seus ajudantes, entre eles, Anchieta. A Igreja São José de Anchieta, no Pátio do Colégio, tem relíquias do santo e arquitetura barroca. O Monumento a Anchieta, de bronze, é uma escultura de 1954, para comemorar os 400 anos da cidade, e fica na Praça da Sé, em frente à Catedral. Ainda no Pátio do Colégio, o Museu Anchieta guarda objetos históricos e tem uma maquete da Vila de São Paulo de Piratininga, do século XVI.

Outros lugares por onde Anchieta passou

Anchieta esteve em locais que hoje são estâncias turísticas, como São Vicente, por onde chegou à Capitania, em 1553. Na vila, ele aprendeu o tupi e escreveu a primeira gramática indígena da história. No Guarujá, o jesuíta rezou missas e ensinou a religião aos índios na Ermida de Santo Antônio do Guaibê, uma das primeiras igrejas do Brasil, feita com pedras de sambaqui (amontoados de conchas), óleo de baleia e conchas. Em Bertioga, Anchieta se abrigou no Forte de São João, outro ponto turístico, antes de seguir para missões em Ubatuba, no litoral norte.

Quem foi Anchieta: o espanhol que ajudou a fundar São Paulo

Nascido em 1534 na ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), José de Anchieta tinha origem judaica sefardita (da Península Ibérica) e era de uma família de cristãos-novos (judeus que foram forçados a se converter ao catolicismo). Por causa das regras espanholas, que não deixavam ele entrar em seminário, Anchieta foi para Portugal, onde estudou na Universidade de Coimbra. Aos 17 anos, entrou na Companhia de Jesus e, em julho de 1553, após dois meses de viagem, chegou ao Brasil, desembarcando em Salvador. Em outubro do mesmo ano, foi para a Capitania de São Vicente e participou da fundação de São Paulo, em janeiro de 1554. O padre jesuíta José de Anchieta morreu em 1597, no Espírito Santo.


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