06 de junho de 2026

Desemprego das jovens negras chega a 24,7%

Brasil Desemprego 05/06/2026 19:14 Redação bahianoticias.com.br

Um estudo mostra que mulheres negras jovens sofrem mais para conseguir emprego no Brasil. A taxa de desemprego entre elas é muito maior do que a de homens brancos, e elas ganham menos dinheiro, além de terem mais dificuldades para encontrar trabalho formal.

As mulheres negras jovens continuam registrando os piores resultados em indicadores como taxa de desemprego, trabalho sem carteira assinada, desistência de procurar emprego e salário no mercado de trabalho. Isso é o que mostra um relatório feito pela Rede Multiatores MUDE com Elas, usando dados da PNAD Contínua 2025, uma pesquisa do IBGE que analisa o mercado de trabalho no país.

O estudo, divulgado pela Agência Brasil, nesta sexta-feira (5), mostra que, mesmo com melhorias na educação e na renda, ainda existem diferenças muito grandes no mercado de trabalho brasileiro para mulheres com idades entre 14 e 29 anos.

  • As jovens negras de 14 a 17 anos têm uma taxa de desemprego de 24,7%, ou seja, uma em cada quatro está sem trabalho.
  • Na faixa de 18 a 24 anos, o desemprego delas é 16,5%, 1,6 vez maior que o dos homens brancos.
  • O salário das mulheres negras é, em média, menos da metade do que os homens brancos ganham (46,5%).
  • A informalidade (trabalho sem carteira assinada) entre jovens negras é de 39,1%, 10% maior que entre as jovens brancas.
  • Na região metropolitana de São Paulo, mulheres negras de 25 a 29 anos ganham R$ 2.569, enquanto homens brancos ganham R$ 5.323.

Entre os 14 e os 17 anos, a taxa de desemprego de mulheres negras chega a 24,7%, número 1,4 vez maior do que a dos homens brancos da mesma idade. Na faixa de 18 a 24 anos, que os pesquisadores consideram um momento importante de transição entre a escola e o trabalho, a diferença aumenta para 16,5% para elas, 1,6 vez maior do que a dos homens brancos.

O grupo seguinte, de 25 a 29 anos, tem uma taxa de desemprego de mulheres negras de 10,3%, quase o dobro da observada entre mulheres brancas e 2,8 vezes a dos homens brancos.

O resultado mostra que o lugar onde a pessoa mora também influencia muito as oportunidades, pois moradoras de regiões mais afastadas enfrentam maiores dificuldades com transporte, acesso a serviços públicos e contatos profissionais.

Renda e trabalho formal

A diferença também aparece na renda e no acesso ao trabalho com carteira assinada. Em 2025, o salário médio das mulheres negras foi de apenas 46,5% do salário dos homens brancos, uma diferença de 53,5% que continua praticamente igual nos últimos anos.

A informalidade entre jovens negras é de 39,1%, cerca de 10% acima da registrada entre jovens brancas. O único grupo mais prejudicado nesse indicador é o dos jovens homens negros, para os quais esse número chega a 44,2%.

As dificuldades aparecem no desalento, que é a situação de quem desiste de procurar trabalho. As mulheres negras são 38,7% dos jovens desalentados do país, enquanto os homens negros somam 36,1%. Na faixa de 25 a 29 anos, a participação das mulheres negras atinge 44,2%.

Quando se olha apenas para a Região Metropolitana de São Paulo, a diferença se repete: jovens mulheres negras recebem, em média, R$ 2.236, enquanto homens brancos chegam a R$ 3.926. Entre 25 e 29 anos, a diferença aumenta, com salários de R$ 2.569 para mulheres negras e R$ 5.323 para homens brancos.


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