23 de maio de 2026

Novo centro quer ajudar cidades a sofrerem menos com enchentes

Brasil Enchentes 23/05/2026 10:56 Agência SP agenciasp.sp.gov.br

Um novo centro de pesquisa foi criado em São Paulo para estudar e propor soluções para o problema das enchentes nas cidades. Ele vai unir o governo, universidades e empresas para encontrar formas de evitar os estragos que as chuvas fortes causam.

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Fapesp e vários parceiros do governo e de empresas inauguraram na terça-feira (19) o Centro de Ciência para o Desenvolvimento Cidades Resilientes a Inundações. O objetivo é criar soluções tecnológicas e ajudar na criação de leis e políticas para diminuir os problemas que as enchentes causam.

O Brasil tem 1.942 cidades que podem sofrer com deslizamentos de terra, alagamentos, enxurradas e enchentes, segundo um estudo do governo federal feito em 2024.

  • Mais de 1.900 cidades no Brasil correm risco de enchentes e deslizamentos
  • O centro vai receber R$ 15 milhões da Fapesp e mais R$ 15 milhões de parceiros
  • A cidade de São Paulo será usada como um grande laboratório para testar soluções
  • O projeto quer unir tecnologia, pesquisa e a participação das comunidades
  • A ideia é que pequenas obras, baseadas na natureza, podem resolver grande parte dos problemas

O município de São Paulo é um grande laboratório para mostrar como em um pequeno pedaço do território temos várias realidades distintas. Para enfrentar um desafio desse tamanho é preciso trabalhar em rede, disse o coordenador do centro, Filipe Falcetta, pesquisador da unidade Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente do IPT.

Entre os parceiros estão a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI), a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo (SDUH), SP Águas, Metrô-SP, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Insper, Universidade Mackenzie, Uninove e instituições internacionais.

A parceria prevê o investimento de R$ 15 milhões da Fapesp e o mesmo valor em contrapartidas dos outros parceiros. Segundo Anderson Ribeiro Correia, diretor-presidente do IPT, o objetivo é trazer o que há de mais moderno em soluções para enchentes, trabalhando em parceria com as comunidades.

Entre os parceiros, temos ainda empresas que vão testar tecnologias que futuramente poderão ser incorporadas nas soluções do problema, afirmou.

O papel da Fapesp e dos centros de pesquisa

Para o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) são um grande movimento de ciência e tecnologia no Estado de São Paulo e um exemplo para o país.

Atualmente, a Fundação apoia 83 CCDs, num total de R$ 570 milhões investidos no programa. Cinco editais já foram lançados e mais um deve ser publicado no fim do ano.

É um programa voltado para solucionar problemas enfrentados pelo poder público que possam ser resolvidos com ciência e tecnologia. Os centros contemplados têm apoio inicial de cinco anos. Isso só é possível porque a FAPESP tem previsibilidade de orçamento, que permite projetos com essa duração e mesmo de dez anos, como é o caso dos CEPIDs [Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão], afirmou Zago.

Como as cidades podem ser mais preparadas

O evento contou ainda com duas palestras. Na primeira, o urbanista Valter Caldana, coordenador do Laboratório de Projetos e Políticas Públicas da Universidade Mackenzie, destacou como o centro é um reconhecimento da importância de a produção de conhecimento e a cidade se abraçarem.

Temos de resgatar a pequena escala. Se para cada grande obra de infraestrutura houvesse uma contrapartida do mesmo valor em várias pequenas intervenções baseadas na natureza, teríamos grande parte dos nossos problemas de enchente resolvidos, disse.

Nesse mesmo espírito, Tatiana Tucunduva Philippi Cortese, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e professora da Uninove, explicou para o público conceitos como o de Build Back Better (reconstruir melhor, em tradução livre), que neste contexto consiste em recuperar construções destruídas por desastres naturais, por exemplo, incorporando tecnologias que aumentem a resistência para futuros eventos climáticos extremos.

Cortese lembrou ainda da necessidade de fortalecimento das redes de cooperação entre os diferentes participantes, reforçando a importância do trabalho humano a ser feito por centros como o Cidades Resilientes a Inundações.


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