O setor brasileiro de frutas, flores, legumes, verduras e ovos passou por grandes transformações no primeiro semestre de 2026. Os produtores e supermercados estão investindo em tecnologia, conveniência e produtos mais saudáveis para atender melhor os consumidores e reduzir perdas. Apesar dos desafios com o clima e a economia, o setor vê oportunidades de crescimento.
O primeiro semestre de 2026 marcou uma grande mudança no setor brasileiro de frutas, flores, legumes, verduras e ovos. Para resolver problemas como perdas de produtos, melhorar a entrega e atender às novas exigências dos consumidores, o setor investiu mais em tecnologia, inovação e praticidade. Agora, os produtos frescos são vistos como uma das principais formas de gerar lucro nos supermercados.
Encontros organizados pela International Fresh Produce Association (IFPA) e debates em fóruns do setor mostraram uma nova forma de enxergar as frutas, flores, legumes e verduras dentro dos supermercados. Essa categoria deixou de ser apenas uma parte operacional e passou a ser estratégica para fidelizar clientes, se diferenciar da concorrência e gerar mais margem de lucro.
- O setor de produtos frescos investiu em tecnologia para reduzir perdas e melhorar a eficiência.
- Supermercados que usam modelos de previsão conseguem diminuir perdas em até 25% e a falta de produtos em até 30%.
- A demanda por alimentos práticos e saudáveis, como frutas cortadas e saladas prontas, está crescendo.
- O consumidor busca mais transparência sobre a origem dos alimentos e seu impacto no meio ambiente.
- Os supermercados com mais produtos frescos podem ter até 15% mais lucro, se tiverem bom controle e redução de perdas.
"Estamos vivendo uma mudança importante no setor," afirma Valeska Ciré. "O FFLVO deixou de ser visto apenas como uma categoria de abastecimento e passou a ocupar um espaço estratégico no varejo alimentar. Hoje, há uma compreensão clara de que o setor é fundamental para atender às mudanças no comportamento do consumidor e suas demandas, refletindo no potencial de resultado no ponto de venda."
O setor está deixando de tomar decisões baseadas apenas na experiência ou intuição e passou a usar ferramentas que reduzem perdas e melhoram as margens. Estudos apresentados em eventos de negócios da IFPA mostram que varejistas que usam modelos de previsão conseguem reduzir perdas em até 25% e a falta de produtos em até 30% uma vantagem importante em um setor que sempre teve margens apertadas.
Saudabilidade e Conveniência: Novas Oportunidades
Outro destaque do primeiro semestre foi o aumento da demanda por alimentos frescos ligados à saúde e praticidade. Produtos como frutas cortadas, saladas prontas, vegetais lavados e itens prontos para consumo ganharam espaço nas discussões, abrindo novas oportunidades para produtores, indústria e varejo.
"O consumidor mudou muito rapidamente," destaca Valeska Ciré. "Existe uma demanda crescente por praticidade, saudabilidade e conveniência. Isso cria espaço para produtos de maior valor agregado e exige que toda a cadeia repense a logística, a exposição, a comunicação e o desenvolvimento de novos formatos de consumo."
A migração dos consumidores para alimentos frescos e mais saudáveis, impulsionada por novas tendências de bem-estar e saúde, amplia essa oportunidade de mercado para toda a cadeia produtiva.
O semestre também foi marcado pelo aumento do debate sobre rastreabilidade, sustentabilidade e integração da cadeia produtiva. A abertura de novos mercados internacionais e o avanço de acordos comerciais colocaram pressão sobre padrões de qualidade, logística e conformidade socioambiental. Ao mesmo tempo, o consumidor brasileiro passou a exigir mais transparência sobre a origem, produção e impacto ambiental dos alimentos.
Nos principais fóruns do setor, como o Fórum IFPAFFLVO para Supermercados, realizado durante a APAS Show 2026, especialistas reforçaram que supermercados com maior participação de produtos frescos podem ter até 15% mais lucro. Essa rentabilidade depende de três fatores: controle operacional rigoroso, redução efetiva de perdas e maior colaboração entre fornecedores e varejo.
"A cadeia começa a entender que a colaboração será essencial para enfrentar os próximos desafios," afirma Valeska Ciré. "O produtor busca eficiência, o varejo quer reduzir perdas e o consumidor exige qualidade e conveniência. Quando esses elos trabalham de forma integrada, surgem oportunidades concretas de inovação e crescimento."
Desafios Climáticos e Perspectivas para o segundo semestre
Além das mudanças no consumo, o setor acompanha com atenção os efeitos climáticos previstos para o segundo semestre. A expectativa de intensificação do El Niño pode impactar a oferta, a produtividade e os preços em algumas regiões produtoras, aumentando a necessidade de planejamento e inteligência operacional.
O setor de Frutas, Flores, Legumes, Verduras e Ovos deve passar os próximos seis meses em um ambiente de crescimento seletivo da demanda, mas com forte pressão sobre as margens, maior volatilidade de preços e risco climático elevado. Em frutas, legumes e verduras, o consumo tende a se manter por causa da busca por saúde, mas o consumidor continuará sensível a preço, promoções e substituições entre itens, em um contexto de inflação alta, juros altos e renda seletiva.
Apesar dos desafios, o Brasil tem um enorme potencial para crescer tanto no mercado interno quanto no externo. O evento The Brazil Conference & Expo, da IFPA, previsto para agosto, promete consolidar as tendências observadas e gerar novas oportunidades comerciais. O desafio agora é transformar esse potencial em uma cadeia mais eficiente, conectada e preparada para responder rapidamente às mudanças no consumo e no mercado.

Valeska Ciré





